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Xenofobia na África do Sul: 7 Moçambicanos Mortos

Xenofobia na África do Sul: o que está por trás dos ataques que mataram moçambicanos em 2026

Ataques xenófobos em Mossel Bay mataram pelo menos 7 moçambicanos em junho de 2026. Entenda o que aconteceu, as causas e a resposta dos dois governos.

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A Xenofobia continua sendo um problema ainda por se resolver em torno do território sul africano. Em junho de 2026, pelo menos sete cidadãos moçambicanos morreram e mais de 800 foram afetados por ataques xenófobos na África do Sul, com epicentro em Mossel Bay, na Província do Cabo Ocidental. Os ataques com facas, catanas e pedradas foram os primeiros com mortes confirmadas ligados a uma onda de manifestações antimigrantes que varreu o país desde abril de 2026, impulsionada pelo movimento civil “March and March”. O governo moçambicano iniciou a repatriação dos seus cidadãos e convocou o embaixador sul-africano para prestar esclarecimentos.

O que aconteceu em Mossel Bay relativo a Xenofobia?

Na madrugada de 30 de maio de 2026, grupos armados com facas, catanas e pedras invadiram bairros informais em Mossel Bay, atacando residências habitadas por migrantes estrangeiros, maioritariamente moçambicanos. A violência foi rápida e brutal.

Segundo o governo de Moçambique, sete moçambicanos morreram: cinco como consequência direta dos ataques e dois num acidente de viação ao fugirem para o país em viaturas privadas. Cerca de 800 cidadãos ficaram desalojados.

A Polícia do Cabo Ocidental, pela voz da brigadeira Novela Potelwa, confirmou inicialmente apenas dois mortos no assentamento informal de Asla Park um jovem de 27 anos e outro de 43 e rejeitou a classificação de “ataque xenófobo”, tratando o caso como “crime grave em investigação”. A divergência nos números reflectiu a tensão diplomática que se seguiu.

O contexto: “March and March” e o crescimento do sentimento antimigrante

Os eventos de Mossel Bay não surgiram do nada. Desde abril de 2026, um movimento civil sul-africano denominado “March and March” tem organizado manifestações em Pretória, Joanesburgo e Durban, exigindo maior rigor na aplicação das leis de imigração e a deportação de migrantes em situação irregular.

A Human Rights Watch documentou em maio de 2026 “novas ondas de ataques xenófobos” à medida que estas manifestações ganharam escala, alertando para a normalização do discurso de ódio contra estrangeiros, em particular africanos subsarianos.

A África do Sul tem uma longa história de tensão com migrantes. Ataques xenófobos de grande escala ocorreram em 2008 (60 mortos), 2015 (sete mortos, 5 000 deslocados) e 2019. Em 2026, o contexto agravou-se com o desemprego a rondar os 33%, pressão sobre serviços públicos e uma percepção popular — amplificada nas redes sociais — de que os estrangeiros “roubam” empregos e recursos.

Quantas pessoas foram afetadas e o que lhes aconteceu?

DadoNúmero
Mortos (versão moçambicana)7
Mortos confirmados pela polícia sul-africana2
Moçambicanos afetados+800
Repatriados no sábado, 1 jun.~300
Em abrigo seguro no Cabo Ocidental~500
Deportados até 3 jun.~600

Segundo o Serviço Nacional de Migração de Moçambique (SENAMI), a repatriação foi coordenada com as autoridades sul-africanas e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Os regressados foram recebidos na fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo.

A resposta do governo moçambicano relativo a Xenofobia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique emitiu uma nota de protesto formal, exigindo que as autoridades sul-africanas:

  1. Investigassem com urgência as mortes e processar criminalmente os responsáveis;
  2. Garantissem a segurança dos moçambicanos ainda em território sul-africano;
  3. Prestassem contas sobre o número real de vítimas.

O Presidente Daniel Francisco Chapo acompanhou pessoalmente as operações de repatriação e declarou que “a vida de cada moçambicano, onde quer que esteja, é sagrada e inegociável”.

A posição sul-africana: investigação em curso

O governo sul-africano reconheceu os incidentes mas insistiu na investigação criminal antes de qualquer qualificação política. O Presidente Cyril Ramaphosa rejeitou a xenofobia como política de Estado e apelou à calma, mas críticos apontam para a lentidão das respostas e para a retórica do movimento “March and March”, que alguns líderes do partido governante ANC apoiaram tacitamente.

A Africanews e a Al-Jazeera reportaram que as forças de segurança sul-africanas estiveram ausentes nos primeiros momentos dos ataques em Mossel Bay, levantando questões sobre omissão ou negligência.

Impacto diplomático e económico

A África do Sul é o principal destino de trabalho para os moçambicanos da região sul do país. Segundo dados do Banco Mundial, cerca de 1,5 milhão de moçambicanos vivem e trabalham no país vizinho, enviando remessas que representam uma fatia significativa do rendimento familiar em províncias como Gaza, Inhambane e Maputo.

Uma deterioração das relações bilaterais pode afectar:

  • As remessas: estimadas em centenas de milhões de dólares anuais;
  • O corredor de Maputo: principal via de exportação de produtos sul-africanos para o oceano Índico;
  • O gás de Temane: projecto conjunto de fornecimento de gás natural de Moçambique para a África do Sul, avaliado em mais de 800 milhões de dólares.

O que dizem as organizações internacionais?

ONU e a Human Rights Watch apelaram ao governo sul-africano para travar o discurso de incitamento ao ódio e proteger as comunidades migrantes. A HRW sublinhou que a violência de 2026 segue o mesmo padrão dos episódios anteriores: “começa com manifestações, escala para saques e termina em mortes, sempre em comunidades pobres onde migrantes e locais competem pelos mesmos recursos escassos.”

O Papa Leão XIV, que já havia lamentado a morte do bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, assassinado em junho de 2026, expressou também preocupação com a situação dos moçambicanos em solo sul-africano, num sinal de que a comunidade internacional observa de perto a crise.

O que pode mudar: perspectivas para o segundo semestre de 2026

A pressão sobre o governo sul-africano é crescente. Eleições autárquicas previstas para outubro de 2026 criam um incentivo político para tratar a questão com rigor — ou para a deixar arrastar, dependendo do eleitorado alvo.

Para Moçambique, a crise expõe uma dependência estrutural que o governo tem prometido reduzir: a falta de oportunidades internas que empurra centenas de milhares de jovens para cruzar a fronteira em busca de sustento.

A situação pede respostas em duas frentes:

  • Curto prazo: repatriação segura, indemnização das famílias das vítimas e processos judiciais na África do Sul;
  • Longo prazo: criação de empregos em Moçambique, diplomacia bilateral robusta e acordo de protecção consular para os trabalhadores migrantes.

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FAQ

P1: Quantos moçambicanos morreram nos ataques xenófobos na África do Sul em 2026?
O governo de Moçambique confirmou sete mortos: cinco vítimas diretas dos ataques em Mossel Bay e dois num acidente de viação durante a fuga. A polícia sul-africana confirmou oficialmente dois mortos.

P2: O que é o movimento “March and March”?
É um movimento civil sul-africano criado em 2026 que organiza manifestações exigindo maior controlo da imigração irregular. As suas marchas em Pretória, Joanesburgo e Durban precederam os ataques violentos nas comunidades de migrantes.

P3: O que fez o governo moçambicano para proteger os seus cidadãos?
O governo emitiu uma nota de protesto formal, coordenou a repatriação de cerca de 600 moçambicanos com o SENAMI e as autoridades sul-africanas, e o Presidente Daniel Chapo acompanhou pessoalmente o processo.

P4: A xenofobia na África do Sul é um fenómeno recente?
Não. Ataques de grande escala ocorreram em 2008 (60 mortos), 2015 e 2019. O episódio de 2026 é o mais grave dos últimos anos em termos de vítimas moçambicanas confirmadas.

P5: Estes ataques podem afectar as relações económicas entre Moçambique e a África do Sul?
Sim. Com 1,5 milhões de moçambicanos na África do Sul e projectos bilionários como o gás de Temane, a tensão diplomática ameaça remessas familiares, o Corredor de Maputo e investimentos conjuntos no sector energético.

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